O ministro das Finanças de Israel apresentou, nesta quinta-feira (27), o plano de seu partido para aumentar drasticamente o número de judeus que vivem em duas regiões do país com grandes populações árabes israelenses.
Com a proximidade das eleições de 27 de outubro, o ministro de extrema direita Bezalel Smotrich afirmou que o plano emularia o que ele qualificou como a "revolução" na Cisjordânia ocupada, onde a construção de assentamentos israelenses disparou nos últimos anos.
"Hoje apresento a vocês o plano do Sionismo Religioso para a judaização do Neguev e da Galileia: a revolução que realizamos na Judeia e Samaria será realizada no Neguev e na Galileia, e em grande escala", escreveu Smotrich no X, usando um termo bíblico atribuído pela extrema direita israelense e por figuras ultrarreligiosas para se referir à Cisjordânia.
O partido de Smotrich, o Sionismo Religioso, publicou no X um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) em que se veem dois homens árabes gritando e chorando devido ao plano proposto.
Neguev, no sul de Israel, e Galileia, no norte, são regiões com expressiva presença de cidadãos árabe-israelenses. A maior parte dessa minoria se identifica como palestina e é composta por descendentes dos que permaneceram no território após a criação de Israel em 1948, representando cerca de 21% dos 10,2 milhões de habitantes do país.
O ministro detalhou as metas da iniciativa:
- 1 milhão de judeus adicionais no Neguev e na Galileia;
- Criação de 40 novas comunidades e dezenas de fazendas;
- Construção de centenas de milhares de unidades habitacionais e ampliação das comunidades existentes;
- Criação de novas zonas industriais e postos de emprego.
"Anularemos os planos irresponsáveis nas comunidades árabes, que se apoderaram de reservas de terras e ameaçam o assentamento judaico na região", acrescentou o ministro, afirmando ainda que exigirá do próximo governo a colocação de "profissionais sionistas em cargos-chave".
O anúncio ocorre em um cenário de expectativas para eleições bastante acirradas no país, nas quais o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, enfrenta uma campanha difícil. Segundo as pesquisas atuais, o partido de Smotrich está no limite da cláusula de barreira para garantir representação no próximo Parlamento.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967. Na região, vivem mais de 500 mil israelenses em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional, além de cerca de três milhões de palestinos.
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