Crise na CBF: Vazamentos apontam uso de recursos da entidade para viagens de parentes do presidente

Samir Xaud, médico de 41 anos, e presidente da CBF (MAURO PIMENTEL/AFP)

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfrenta uma grave crise institucional, marcada por disputas de poder e denúncias de gestão irregular. Vazamentos recentes de documentos expuseram uma suposta contabilidade paralela no gabinete da presidência, destinada a financiar viagens e estadias luxuosas de parentes e pessoas próximas a Samir Xaud, presidente da entidade.

Guias de faturamento obtidas pelo Radar revelam gastos que somam quase R$ 50 mil emitidos em nome da CBF. Entre as despesas estão passagens para o filho do dirigente com destino à Coreia do Sul e aos Estados Unidos, bilhetes aéreos para sua irmã e a hospedagem da empresária e influenciadora Camila Andrade em um hotel de luxo no Rio de Janeiro.

Ao ser questionado, Samir Xaud apresentou justificativas confusas. Ele negou que os gastos tenham sido pagos pela CBF, alegando ter financiado as despesas com recursos próprios. No entanto, o presidente não explicou o motivo de os registros estarem formalmente vinculados ao centro de custo da presidência e se recusou a fornecer as notas fiscais para checagem da reportagem.

Como contraprova, Xaud exibiu extratos de R$ 252 mil referentes a pagamentos pessoais à agência de turismo contratada pela CBF, embora nenhum dos recibos tivesse relação direta com as viagens sob suspeita. O dirigente admitiu que a entidade arca com viagens de acompanhantes em eventos institucionais e alegou que utiliza a mesma agência corporativa por facilidade logística.

Em meio ao escândalo do vazamento, dois funcionários da CBF foram demitidos sob a justificativa de uma investigação interna na entidade. Enquanto os bastidores fervem, os documentos originais foram preservados para proteger a identidade das fontes de retaliações.

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